| Revista do CLUBE DOS OFICIAIS DA MARINHA MERCANTE |
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Nº 41/42 |
Setembro/Outubro 2002 |
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Longe da Vista...... Não é solução !!!
O caos voltou a invadir a nossa porta e a sentar-se à nossa mesa todas as noites, em tons de negro. O petroleiro Prestige afundou-se ao largo da Galiza causando mais uma catástrofe ecológica. Desde então muito se tem dito e mostrado sobre as causas e consequências deste acidente, como aliás é normal nestes casos, utilizando, contudo, formas e argumentos que, na maioria dos casos, apenas contribuem para o estabelecimento de uma opinião publica distorcida e muitas vezes exaltada contra o Armador e Tripulação do navio. Em nossa opinião, desperdiçam-se assim momentos privilegiados de grande audiência em que, para alem da normal informação, se poderia contribuir para a construção de uma consciência pública, clara e generalizada, de que ao fim e ao cabo toda a comunidade acaba por ser também responsável por estas situações, que, sendo naturalmente indesejáveis e intoleráveis, são, no fundo, o alto preço adicional que somos forçados a pagar, de quando em vez, pelo conforto e progresso que exigimos, numa sociedade em que a energia do petróleo se tornou absolutamente imprescindível. É que apesar de tudo o que se diz e se mostra, a grande maioria dos Armadores tem feito um esforço indescritível, ao longo dos últimos vinte anos, no sentido de corresponder e sobreviver a todas as mudanças que por imposição legal se foram introduzindo no sector, sempre com o objectivo de “acabar” com a poluição operacional e acidental do meio ambiente marinho. Neste esforço, merece um amplo destaque a atitude meritória dos Oficiais da Marinha Mercante e demais profissionais do mar pela forma como sucessivamente aderiram aos códigos de conduta a que a pesadíssima legislação da Industria obriga, contribuindo definitivamente para que o “Shipping” seja hoje em dia o meio de transporte mais amigo do ambiente.
Pensamos que tudo o que se fizer para proteger o meio ambiente e diminuir a probabilidade de acidentes de poluição será sempre bem acolhido por toda a comunidade que, contudo, deverá estar consciente que os tão badalados navios de “casco duplo” não serão nunca uma solução garantida contra catástrofes como a do “Prestige”. É importante que se saiba que neste momento esses navios tem a enorme vantagem de serem todos novos, beneficiando por isso de uma recente concepção estrutural, que em principio lhes permitirá suster derrames perante rombos no costado motivados por pequenos encalhes, abalroamentos ou mesmo mau tempo.
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Todos os cenários são possíveis mas uma verdade será sempre inquestionável – Longe da vista e em pleno mar aberto muito dificilmente se encontrarão soluções que resolvam os problemas graves de qualquer navio e muito menos os de um petroleiro carregado. Pensamos por isso que uma medida de fundo para minimizar as consequências destas catástrofes deverá ser prioritária entre todas as que se perfilam e prende-se com a criação de lugares de refúgio, nas zonas críticas de navegação costeira. Esses “locais de sacrifício” deverão ser dimensionados e equipados para acolher petroleiros em situações de perigo, com vista a possibilitar a trasfega da sua carga em segurança, permitindo a contenção localizada e a fácil recuperação dos derrames inevitáveis. Enquanto isso não for feito catástrofes ecológicas com uma história idêntica à do “Prestige” irão infelizmente repetir-se por mais que se faça ou se diga. Provavelmente valerá a pena reflectir um pouco sobre isto e pensar seriamente na grande lição que o “Titanic” nos deixou, ao afundar-se na viagem inaugural, em 1912. A. Pinto Ferreira Capitão da Marinha Mercante |
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Director: Orlando Mota Duarte |
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Colaboraram neste número: L.M.Correia/L. Cardoso/A. Pinto Ferreira/J. Ferreira dos Santos/J. Silva Pereira/M.Duarte |